
A importância da literatura informativa
As cartas, depoimentos e relatórios de navegantes, missionários e aventureiros que estiveram nas terras americanas durante os séculos XVI e XVII constituem um material informativo de grande interesse cultural.
Trazendo na mente as superstições e fábulas que circulavam na Europa, ainda bastante medieval em certos sentidos, esses homens misturavam frequentemente fantasia e realidade. A exuberância da natureza da América, a riqueza da flora e da fauna deixaram-nos maravilhados. Eles não cansavam de falar das árvores frutíferas, das plantas, das flores, dos animais que não conheciam, da imensidão dos rios, da variedade de peixes, do clima agradável. Tudo isso só poderiam imaginar existir no paraíso bíblico.
Eis como “Cristóvão Colombo”, por exemplo, fala da ilha de Haiti, que ele batizou de La Spañola: “Nela há muitas baías na costa marítima, com as quais nem merecem confronto as que conheço na Cristandade, e numerosos rios, bons e largos, o que é esplêndido. (...) La Spañola é maravilhosa; as serras e as montanhas e as campinas e as terras são belas e férteis para plantar e semear, e para a criação de gados de toda raça, e para a edificação de vilas e cidades. As baías de mar são lá de tal sorte, que não acreditaríeis se as não vísseis; assim também os rios, muitos e largos, e os excelentes regatos, a maioria dos quais tem ouro”.
A literatura como forma de catequese
Juntamente com os enviados do rei de Portugal vieram os jesuítas, freis e padres que tinham a missão de catequizar os índios, de acordo com as doutrinas reverenciadas em Portugal, por seu povo.
Em Deus, meu criador
Não há cousa segura.
Tudo quanto se vê
Se vai passando.
A vida não tem dura
O bem se vai gastando.
Toda criatura
Em Deus, meu criador,
Está todo meu bem
E esperança,
Meu gosto e meu amor
E bem-aventurança.
Ao alto cume
Quem serve a tal senhor
Não faz mudança.
Contente assim, minha alma,
Do doce amor de Deus
Toda ferida,
O mundo deixa em calma,
Buscando a outra vida,
Na qual deseja serToda absorvida.
Do pé do sacro monte
Meus olhos levantando
Vi estar aberta a fonte
Do verdadeiro lume,
Que as trevas do meu peito
Todas consume.
Correm doces licores
Das grandes aberturas
Do penedo
Levantam-se os errores
Levanta-se o degredo
E tira-se a amargura
Do fruto azedo!
Padre José de Anchieta